quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Dá um tempo! (parte 5)

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Um castelo em Miami? Uma viagem pelo mundo? Um Dodge? Investir na bolsa? Calvin Klein? Ou Dolce Gabbana? Sempre se passa pela cabeça comprarmos coisas se, de uma hora para outra, ficássemos milionários. Nas espaçosas mentes de José e Marcelo também ecoavam esses pensamentos. O que talvez não passe na mente de muita gente é o que fazer no exato momento em que sua conta sai do cheque especial e ultrapassa em 30.000.000 % o valor que você ganha por mês.

Os nossos sortudos protagonistas já ciscaram, cacarejaram e até puseram ovos ao telefone, mas e agora? O que fazer? Às 21h16 as lotéricas não lhes avultariam os bolsos. Contudo era preciso comemorar! Trancafiar com cofres de diamantes o tremendo fardo que suas vidas pobres eram.

Seu time ganhou? Acabou o namoro? Ou está desejando aquela deusa? Raiva ou desespero? Não importam os motivos da guerra, beber ainda é mais importante, dizia um velho e embriagado cabeludo. Para aquela dupla, no entanto, a coisa funcionava diferente: primeiro bebe-se e só depois que se bebe de novo. Se lhe conforta o ensejo: bebiam para motivar o mijo.

Foi José quem sugeriu a ideia:

— Vamos ao bar da Kátia? — e pensou maior — Ou melhor: vamos ao Geco PUB?

Astrólogos, psicólogos e até donas de casa ainda não sabem de onde surgiu essa trivial ideia inédita, assim como desconhecem o porquê de José ter perguntado e não exclamado aquelas poéticas frases. Fato é que aos olhares desdenhosos de quem daria adeus aos ônibus, ambos foram para o recanto das notas vermelhas em tempo recorde.

Quando se encontraram, estranharam a si mesmos. Não porque suas fisionomias de quatro horas atrás houvessem se transfigurado, mas porque um nunca sentira aquele perfume tão forte do outro. Comentaram sobre o intenso odor recendido e riram por terem gastado mililitros e mais mililitros daquele que se tornaria o mais chinfrim Leite De Rosas que usariam dali em diante.

Gargalharam. Gargalharam de riqueza. A recém riqueza é a mais eficaz das comédias. E, para não perder o hábito, tornaram às suas importantes divagações:

— Zé, vê se corta esse cabelo. Chitãozinho e Xororó é tão last decade! — e anedotizou — Conheço uma cabeleireira que cobra R$5,00 pelo corte masculino. Se você não tiver a grana, lhe empresto.

O outro revidou:

— E você, vê se compra outro tênis! Esse em que você tanto pisa, daqui a pouco debuta!

Gargalharam. Gargalharam dessa vez um sorriso narcisista, afinal last decade e debutar definitivamente não eram termos que pobres empregariam.

(continua...)

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