quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Textão.


Vivo na brevidade do fim dos tempos. Na iminência de que o mundo desapareça numa notícia-bomba. Explodo na efervescência dos zapes e implodo no avesso das pazes. Vivo no meio do meu último nome!

Busco calma no alvoroço desconexo do meu pensar. Pelo menos tento. Porque meu pensar, coitado!, vive não se sabe onde. Tão volúvel, tão instável, tão ingênuo e, por isso, tão doente... Queria ter algo legal para pensar: algo extasiante. Mas a brevidade do fim dos tempos assola qualquer ideia.

Só sinto pânico e ansiedade pela necessidade de querer fazer tudo que me falta fazer já que os tempos estão acabando. Nada de bombas-relógio, todos os relógios é que viraram bombas!

Dividir bons momentos agora é compartilhar, é número, é estatística. Tudo se tornou Instantaneamente-gram! É uma obrigação. O social se separou da sociedade e vivemos como se fosse The Sims (ou seria The Nãos?), sem remelas ao acordar, com respostas padronizadas (mas com estilísticas distintas), com éticas padronizadas (mas com apelo diferenciado). Tá tudo lá no virtual, na nuvem. É só dar um Google que você acha.

O combate à hipocrisia só começa a existir quando você admite que também é hipócrita. Do papa à mamãe, ninguém escapa a hipocrisia (em algum nível). Falo isso porque aparentemente, nas redes “sociais”, educar tornou-se um exercício de empáfia, onde o professor não tem mais nada para escutar – só apontar o dedo e ditar a matéria de uma opinião indiscutível. O educar se dis-socio-u do aprender.

Os seres ditos sociais estão tão aficcionados em si e em suas próprias opiniões e gostos que mergulham profundamente no próprio ego e sufocam qualquer espécie de relação com o próximo – porque ele obviamente vai ser diferente de você. “Tenho 3000 amigos!”

Vivo na brevidade do fim dos tempos onde não se troca mais nada, só likes (ou nudes).

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Arritmia.

Não sei como é, nem sei como seria, tampouco como será. Só sei como foi. E que foi bom. E que foi ruim. E foi tudo.

Como eu e você: vítima e algoz, algoz e vítima, respectiva, inversa, reciprocamente. Eu faço mal a você, te incinero, te sugo, te exploro, te uso, te mato na unha e no fim te jogo fora. Você também faz o mesmo por mim, me envolve, me mal acostuma, me mima, me usa, me tira o fôlego, me apraz e no final me abandona. Completamos um ao outro com a ausência.

Às vezes acho que procuramos meios para não encararmos tantos finais. Fingimos que esquecemos de lidar com a ideia que o meio passou e que já estamos pra lá da metade do caminho (seja lá quão longa essa estrada for). Eu numa ponta, você na outra. Em direções opostas do mesmo verbo: ora eu aspiro, ora você expira, ora eu expiro, ora você aspira. Mas algo nos une. Há algo, mais forte, muito mais forte que eu e você, que nos liga, nos obriga, cria entre nós uma relação mutualista, dualista, masoquista.

Não sei até onde vai o seu poder sobre mim, muito menos o meu sobre você. Não sei nem discernir se o meu poder é seu, pertence a você, ou se o seu poder é meu, a mim pertence. Suas vontades, meus desejos, suas ânsias, minhas dúvidas. Sincronizados lado a lado com o receio e o prazer. Caminhamos com certezas. As incertezas deixamos para depois. E o depois eu não sei como é, nem como seria, nem como será. Apesar de imaginar. Só sei mesmo é como foi. E que foi bom. E que foi ruim. E foi-se tudo.

Antes fosse amor... mas é só cigarro. E mentiras.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Transição.

Vencer um grande medo é a sensação mais difícil e talvez mais prazerosa que se pode ter na vida. Vide, por exemplo, o medo da morte. Se pensássemos no que ganharíamos caso perdêssemos a vida, talvez não pensássemos tanto no que perderíamos caso ganhássemos o direito de chegar do outro lado. Encarar essa balança de riscos é sim o desafio mais estarrecedor que precisamos enfrentar. Atirar-se ao inesperado traz consigo maus presságios, inevitavelmente. Igualzinho à morte.

Arriscar-se é tão doloroso assim, porque nos tira do conforto do previsível. Você não quer isso pra sua vida, no fundo, mas isso está sempre lá, constituindo cada átomo de sanidade e insanidade da sua existência. O onipresente prazer angustiante que o medo traz é excitante e, ao mesmo tempo, excruciante. É o medo que tentamos evitar, mas que sempre está lá. Em tudo. No que desejamos, no que sentimos, no que invejamos, no que queríamos, no que imaginamos, no que seria se...

A projeção do futuro tem uma obrigação moral de ser diferente daquela constituída no presente, pois somos matéria e mudamos, e queremos mudar. Contudo nem tudo é mudança. Há algo que permanece: o mutante. Toda grande angústia é precedente a um grande prazer, dessa máxima não podemos esquivar. A vida, às vezes precisa te dar um cara na tapa para você descobrir isso.

Por que teimamos em insistir de ter mais medo de morrer do que medo de não viver?

Não pense que eu quero morrer. Eu também não quero morrer! Não há justificativa nisso. Nada justifica! (Por isso que não há culpa.) Só Deus sabe como doeu e dói a ideia de sequer por um segundo ainda de perder tudo que construí. Pensar por esse lado faz esquecer o quanto de bom que o inesperado poderia trazer. Afinal, eu sei que a escuridão traumatiza. Tanto quanto o desejo contido. E que a luz abençoa. Tanto quanto a mudança. Não há justificativa. Nada justifica. É um medo que precisa ser vivido e vivo, bem vivo!

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Mais amor por amor.

Para mim, inteligência se mede com o quanto se consegue ver os dois lados de qualquer problema-solução. Ou seja, quanto mais empatia você tiver, mais inteligente a meu ver. Meu mundo ideal, aquele que eu procuro onde todos tentem viver em paz, se basearia nessa inteligência para existir. Esse mundo foi o máximo que minha inteligência permitiu imaginar, mas eu acredito obviamente que possa existir outra solução-problema para isso. :)

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Oração ao ego.

Minha angústia fazia sentido. Eu estava certo no que previa e você me fazia crer que não. Você me enclausurava as prospecções, você me punia pelas dúvidas, me imbuía de uma culpa intangível por eu pensar assim. E no fim eu estava certo! Nada nem ninguém vai desmentir isso! Não importa quantos argumentos você use, frente aos fatos não há controvérsia!

Não pense que eu vou bancar de vítima ou de algoz. Não tenho paciência para esse joguinho que você dizia ser eu que inventava. Não tenho estômago para tanta hipocrisia. Dói, de verdade, a barriga quando penso nesse erro que foi acreditar em você quando você dizia que eu estava errado. Eu fui estúpido pela minha empatia, pela minha crença pueril de que tudo que eu pensava estava mesmo errado, era invenção.
Agora vejo que eu não era um lunático por ver seu desejo cruel em me ver mal! Só agora percebo o quanto tudo aquilo que eu falava era verdade e que você no fundo sabia que era verdade, mas me negava pelo simples prazer de me ver desesperado – fingindo não ficar desesperado tal e qual. Eu não inventei nada disso! Na verdade, tentei até me proteger. Procurei o amparo certo do mar, pois sabia o que viria daí. Sempre soube.

Não foram as circunstâncias, ou algo que eu fiz que lhe fizeram ser o que você é. A situação não faz o ladrão. O ladrão, mesmo que nunca tenha cometido um crime antes, sempre teve em si desejo de roubar. E o que eu quis e sempre quis foi não negar os meus desejos. Pois meus desejos sempre fizeram parte de mim, daquilo que eu sou: sem receios de dizer o que penso, sem medo de sentir o que sinto, sem culpa de ser quem eu quero ser.

Sua incansável retórica me venceu pelo cansaço e findei por acreditar que estava errado em pensar esses “absurdos” tão normais. E hoje, apesar de plausível a ideia de lhe ter ódio, acredito que sentir algum sentimento por você seria repetir o erro. Portanto, não quero nada, absolutamente nada, de você. Infelizmente não posso apagar da memória todos os momentos em que você me jogou a culpa do mundo inteiro por eu ser assim, mas posso, daqui pra frente, apagar tudo que venha de você e dos seus semelhantes.

Nunca lhe entregarei esta carta, pois dar-lhe é dizer indiretamente que você significa algo. E a partir do ponto final você não será mais nada. 

Sou eu que rezo por mim.