quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Dá um tempo! (parte 2)

Parte 1

Quando José chegou à casa, sua moral se encontrava num estado de apoplexia. Então por um átimo segundo, ele resolveu sentar-se e estudar para sanar seu cérebro carente do conteúdo programático de Hidráulica II. Em outras palavras: a culpa volátil por ter sido boêmio a semana de prova inteira enfim se fez presente.

Viscosidade, pressão osmótica, telefone, brrriiimm!

— Você viu? O vencedor é daqui!

— Que vencedor?

— Da Mega! E saíram 3 números, que eu me lembre, em que a gente apostou. Olhe o bilhete, pelo amor de Deus!

— Tá certo. Espera — disse José enquanto vasculhava seus bolsos. — Não estou encontrando. Deixe eu procurar na bolsa. Eu te ligo daqui a pouco.

Começou aí a peleja. Primeiro o Zé fuçou a bolsa, depois folheou o caderno, voltou aos bolsos, olhou embaixo da mesa, do sofá, da cama, dentro do guarda-roupa, na bolsa de novo, nos bolsos de novo, na cueca, dentro dos tênis, no escritório e quando estava a caminho da sala, mais uma vez o telefone toca.

— Diga, mãe.

— Meu filho, eu não quero você saindo com Wesley!

— Por que isso, mamãe? — indagou, esquecendo-se por um instante do que estava fazendo.

— Ele foi preso por estar vendendo drogas na igreja.

— Mãe, há mais de 6 anos que não troco um oi com Wesley!

— Boy piroca.

— O quê!?

— Boy piroca, é assim que o chamam.

— Como você sabe disso!?

— Passou na TV! Acabou de passar.

TV, Megasena, bilhete: atribuiu imediatamente o provável novo milionário.

— Mãe, tenho que procurar um bilhete aqui em casa. O ganhador é daqui da cidade e me lembro de ter acertado 3 números — falou dispensando sua mãe.

— Meu filho!!! — gritou a genitora.

— O que foi, mamãe!? — preocupou-se José.

— Você vai me dar quanto!?

— Isso SE eu ganhei e para descobrir isso, tenho que desligar este telefone e procurar.

— Você já olhou nos seus bolsos?

— Já.

— Na sua bolsa?

— Já também, mamãe. Deixe-me ir!

— Olhou dentro da carteira?

Bingo! É lógico que iria estar dentro da sua carteira! Quase largou o telefone para ir buscá-la, mas ainda disse:

— Na carteira! Vou olhar agora. Tchau, mãe. Sua bênção.

— Deus te abençoe, tcha...

(continua...)

Um comentário: