sexta-feira, 29 de junho de 2018

Falso controle.

Tão importante quanto aprender a amar, é aprender a deixar ir. É como se o apego e o desapego estivessem em dois lados de um cabo de guerra, de onde você sairá vencedor de qualquer forma. A sorte é quem decide qual lado vai puxar mais. Deixar-se para lá é uma opção cruel consigo. Levar-se tão a sério, também. Manter um lado do cabo de guerra imbatível enfraquece o lado oposto e você vai acabar perdendo por não manter o REAL equilíbrio. Entregue-se com prudência. Contenha-se sem moderação. A vida é muito curta para você estar sempre certo e torna-se muito longa se você sempre erra consigo. Acerte. E erre.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Sobre escrever

A primeira coisa que me vem à mente quando penso sobre o porquê de escrever é o sentimento de angústia. É esse sentimento de angúsita o responsável pelo exercício da escrita. Não diria, entretanto, que escrever seja uma arte angustiante. Afinal, coisas de conteúdo muito pródigo podem advir com a escrita também. Falo apenas do fato que aquele que escreve (que nem sempre é escritor) tem em si algo entalado na garganta, apertando o peito e que lhe motiva impreterivelmente a escrever.

A arte da escrita, para mim, é consolidada na resolução da angústia. Sim: a angústia é um quebra-cabeça cujas peças você tarda a encaixar. E esse tardar, essa sensação de perda de tempo que a demora causa começa a se dissipar quando a explanação ocorre de modo fluido e, principalmente, honesto. A escrita é a angustiante saga para correr contra o tempo em solucionar questões da alma, questões que você quer e precisa explanar para si mesmo, pra entender de outra visão como também para dimensionar suas causas.

De maneira escatológica, diria que escrever é um excremento da alma. Cada palavra que vem pro papel é algo que você ingeriu e agora tá expelindo. Frase a frase, tudo passou por sua alma e ganhou um novo e único sentido. Nem sempre o que se consome é bom e, portanto, o que sai também não será. A escrita é o bagaço filtrado do suco da vida, momento líquido da alma que se torna sólido estampado no papel.

Por analogia, a angústia é o excremento da alma. E é esse excremento que eu preciso de uma vez por todas expurgar de mim. Para enfim descrever o antônimo da escrita, o avesso da angústia, a paz do ponto final.

domingo, 23 de abril de 2017

Não chore, homem!

Que mundo é esse, vó, em que a gente tem que fingir que não sente nada pelo que o outro nos causa? Que mundo é esse onde a afeição é apedrejada e a apatia rejubilada? Onde estão os nossos semelhantes, vovó? Pra que se viver num mundo assim, vovó? Por que falar de amor virou algo tão censurável? A partir de quando esse mundo, vovó, se tornou um lugar tão horrível de se viver?

Quero voltar, quero fugir, quero sair daqui! Lugar qualquer onde sentir não seja um defeito e sim uma qualidade. Eu não mereço isso daqui, vó! Por que as pessoas se orgulham em ser opacas, se há tanto mais a se ver com a translucidez!? Essas pessoas estão magoadas? Quem foi capaz de fazer tanto mal a elas a ponto de as tornar assim, tão desumanas? Vovó, como a gente faz para desconstruir esse ciclo? Como convencer que atenção, respeito e afeto são mais valiosos do que insensibilidade, secura e empáfia? Vamos reverter essas pessoas, vovó!

Ai, vovó, acho que me atingiram também. E é tristeza. É tristeza que esse povo tem, vovó. Eles escondem a tristeza! Eles pensam que ser à prova de tristeza é o ideal e acabam petrificando o coração e consequentemente a vida deles e daqueles que o circundam. A sociedade não aceita deslizes. É inaceitável se sentir triste. É inaceitável se sentir magoado. Mágoas são reprováveis! Não se pode sentir mágoas: é ilegal para eles. Eles constróem a vida a partir disso: da desconstrução dos sentimentos. Quantas distopias, vovó, não falam da supressão do sentimento!? Todas praticamente.

Sentir, para esse sistema opressor, é desvantajoso. Tacam pás e mais pás de conteúdo mainstream para nos esquecermos de nós e aceitarmos esse mundo onde somos cada vez mais distantes, inatingíveis, insensíveis...

Eu não, vovó, fique tranquila! Vou viver com você aqui, além do horizonte, pra sempre, nessa bolha de amor que me cura de tanta tristeza absorvida desse mundo sem coração, dessas pessoas sem coração...