Parte 2 | Parte 1 José foi correndo até a carteira para ver se o sagrado bilhete da Mega-sena estava lá. Ele já podia se sentir andando dentro de uma Ferrari amarela quando alcançou o objeto com seus anéis de ouro. Abriu-a. — Cadê? Cadê? Cadê? Cadê? — palrou incessantemente enquanto perscrutava sua carteira. — Nããããoo!!! Sim, ele lembrou que havia esquecido sobre a bandeja, junto às notas fiscais, o ingresso que lhe garantiria o diploma eterno de vagabundo. E agora o telefone tocava mais uma vez: o que dizer para Marcelo? José caiu em lágrimas. — Marcelo... — gemeu José e travou em soluços. — O que foi, José!? — disse instigando-se. — Ganhamos!? — falou Marcelo contagiando-se com o choro do amigo. José não conseguia falar. Estava atônito! Por um instante sua vida era fácil, agora voltava a ser difícil, talvez mais difícil que antes: mais uma culpa monumental na sua história. As palavras dos dois lados da linha embargaram: José por tristeza, Marcelo de alegria. A calmaria ce...