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Dar uma volta.

Bebê, vamos nos ver hoje?

Acho que vou mandar isso, afinal, não perco nada se ela não quiser sair comigo hoje. Aliás, eu perco: não terei com quem gastar camisinha. Tenho que escrever algo arrebatador, algo que não lhe dê escapatória a não ser entrar no meu carro e ter um leito de prazeres dispendiosos.

Gostosa, vamos trepar agora?

Nunca! Que mulher gostaria de ser tratada assim? Todas, mas hipocritamente negam. Princesa, ou melhor, Princesinha — elas sempre cedem aos diminutivos.

Princesinha, vamos trepar agora?

Ainda está agressivo. Já sei: vou mudar a intenção.

Princesinha, quer tomar Milk shake?

Milk shake? Não! Ela, por certo, vai pensar em como eu queria que ela sugasse o canudinho até o fim do leite cremoso do copázio. Deixe-me pensar. Por que ela gosta tanto de ser chamada de princesa? Ela é nobre, linda e inacessível e para poder ter-lhe em meus braços tenho que ralar muito, assim como Aladin e Jasmine. Isso: Aladin! E o meu carro é o tapete mágico...

Princesinha, vamos dar uma volta no meu tapete mágico?

Ótimo! Vou enviar! Se bem que está tão infantil!

Jasmine, vamos dar uma volta agora no meu tapete mágico?

Que burro eu sou! Jasmine? É lógico que ela vai pensar que é outra! É melhor voltar à princesinha. Preciso ser mais maduro para levá-la para a cama. Que tal levá-la para um passeio maravilhoso sobre as dunas de um deserto à noite?

Princesinha, que tal subir no meu tapete e conhecer os prazeres — ou melhor —... as maravilhas do deserto do Saara comigo agora?

Saara é nome de motel! Óbvio que ela não acataria! Quem sabe...

Princesinha, vamos dar um passeio na Babilônia?

Droga! Ela detesta drogas!

Princesinha, posso ter a honra de te ver hoje?

Ela vai responder: pode, no Orkut.

Princesinha, posso ter a honra de te ver pessoalmente hoje?

Pode, na janela.

Princesinha, posso ter a honra de te ver pessoalmente no meu carro hoje?

E o que mais? Um cafezinho? Quer bolacha? Tenho que ser mais conciso, despretensioso, objetivo, delicado e maduro.

Bebê, vamos nos ver hoje?

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