quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

É tudo e nada.

Ser radical? Será que isso é tudo (ou nada)? Ou o que voga é o meio-termo de uma vida mais ou menos? O que importa é viver ou ser vívido? Aliás, devemos viver pela razão ou ser fruto da emoção? Quer dizer, devemos? Devemos nos preocupar com a fronteira entre o pensar e o sentir? Eis o embate entre emoção e razão de que sempre me esquivo.

Não quero me fechar, me enclausurar num comedimento traumático, nem me entrevar em cima de uma cadeira de mágoas. Afinal, não é porque vejo uma história se repetindo que ela vá ter o mesmo desfecho. Contudo, o problema é que ela se repete. Mal cogitamos um novo final e o previsível já está lá, prostrado, como um banquete sensacional, ao qual nossa dor da fome não pode recusar.

É, leitor. É fácil falar. Assim como também é fácil ler, estudar, trabalhar... O difícil mesmo é sentir. E, sobretudo, esquecer de sentir. O sentimento independe da sabedoria. É como domesticar um ser selvagem. Onde já se viu: urbanizar o gato-do-mato!? O gato-do-mato urbano é um gato doméstico, sem o brio e a identidade inata daqueles da selva, vivendo num terreno incabível, desfavorável, forçado. E o pior: ele é falso. Falso porque maquia, mente, finge, mas tá lá, comprimido, dentro, sofrido, louco pra existir de verdade, sem cores ditadas ou truques circenses. Fazendo-me concluir que não dá pra domesticar sentimentos.

Ou dá?

Ser paciente, íntegro e compreensivo frente a suas próprias limitações; fazer boas escolhas; planejar uma vida estável; galgar rumo ao ideal.

Olhando por esse lado, me bate certa angústia. Como eu queria uma vida com esses atributos! Como eu queria chegar lá! Viver tal qual no Éden antes da serpente. Sob disciplina e determinação, com a fé de que o presente será sempre bom, porque não há vestígios sequer do conhecimento do mal. Contudo, eu sei que pra isso se faz necessário saber passar pelos percalços do caminho, sem cair em tentação ou ser atraído pelo magnético sentir. E sei que isso nada mais é do que ter o gato-do-mato doméstico a ronronar em cima do tapete da sala. Daí a angústia. Dessa incompatibilidade do desejo íntimo entre ser como eu quero e fazer como eu gostaria.

Então, eu paro. Espreito o que me passa ao redor e finalmente aceito que sou falho. Aceito que eu vou acertar e vou errar. E se aquilo em que eu acertar, der errado, faz parte. E se aquilo em que eu errar, der certo, também faz parte. Whatever works. Embate resolvido: sei que tudo tem um propósito, mas não me cabe saber que propósito é esse.

Ou cabe?

4 comentários:

  1. Inventei uma regrinha agora: te dou 15 minutos por dia pra você se fazer todas essas perguntas e procurar todas essas respostas. Se conseguir, ótimo, senão... esquece delas até o dia seguinte e viva/sinta apenas.

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  2. deixa ver se eu entendi: vc sabe que vc é falho, que aquilo q vc vai fazer pode dar certo ou pode dar errado, e qndo dá errado é bom porque vc aprende alguma coisa, não é? então pq essa tensão toda de entrar em algo q vc já sabe o fim? ora, entra e tenta aprender tudo que for possível!

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  3. concordo com o Foxx ... aff ... pelo menos uma vez nos entendemos ... rs

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  4. O homem vive sobre uma gangorra, os tolos procuram um ponto central de equilíbrio que não realidade não existe, os sábios aprendem o jogo do subir e descer.

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