segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Broto.

Eis que da terra molhada a semente que há semanas germinava, finalmente brotara. Com todo esmero e ímpeto, ela se rachava e expunha ao céu aberto sua primeira folha. A primeira de muitas. A sede de viver a fez romper seu confortável casulo e dar as caras ao mundo das intempéries.  Não havia outra saída e ela foi começar a  vida, nem cedo, nem tarde.

A semente, portanto, virou broto e esse agora olhava ao seu redor e via com esplendor o mundo novo que o escolheu: era tudo claro, diferente, bom. Pássaros, insetos, cheiros, vento, cores, luzes. Deslumbrante, deslumbrante!

Entretanto, não havia coisa pela qual seus olhos mais eram fisgados do que suas frondosas vizinhas. Todas enormes, de troncos maciços, sombras vultosas, folhas a perder de vista...

Logo, vendo aquele espetáculo ao seu redor, o broto, após o nascimento de sua terceira folha, resolveu perguntar a uma de suas vizinhas sobre como ele chegaria a tal patamar. Contudo, sua eufórica indagação fora frustrada, porque não obteve resposta alguma. Quem sabe a árvore esteja muito mais alta do que eu, milimétrico broto, para me ouvir, pensou, acatando o calar de sua pomposa similar. Então aquele silêncio só fez o fascínio pelas suas enormes semelhantes aumentar. E talvez por isso, o broto quisera ser árvore.

Depois de crescer mais um palmo, o broto tornou a perguntar-lhes sobre como é o mundo de cima. Porém, novamente não recebeu nenhuma palavra. Foi então que num rompante, ele atinou para as sementes que caíam das alturas e para a grama rasteira que sempre estivera lá antes mesmo dele nascer e quase lhes perguntou como era o mundo superior. Bobagem, resmungou consigo mesmo, como eles vão saber da vida nas alturas se as sementes são virgens e a grama nunca ultrapassou meio palmo!? O broto só se movia para cima, só a grandeza das suas ídolas lhe interessava e todos os outros eram baixos demais para serem levados em conta.

Intrigado com a insistente displicência, indagou-se e notou que suas vizinhas ainda estavam muito acima dele para poderem escutá-lo. Sendo assim, tendo a dúvida como adubo, o broto cresceu cada vez mais. Três palmos, quatro... Metro a metro, ele ia subindo, sempre perguntando às suas superiores e nunca recebendo respostas. Até que após anos de ascensão, ele tornou-se árvore e calou-se aos demais.

2 comentários:

  1. o broto deveria ter olhado pra baixo, pra uma semente q tivesse caído lá de cima, ou pra grama q nunca subiria, mas que já vira mil sementes caindo lá de cima que lhe contava como era o mundo das árvores.

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