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Quase

É nas oscilações da vida que podemos ver a nossa amplitude. É lá no fundo do poço, com água até o pescoço, que avistamos a crista da onda – percebendo que não estamos nela. E nos movemos, com uma força que não sabemos de onde tiramos, rumo a alguma direção.  Mesmo mistério dos altos e baixos cardíacos, pulmonares, marítimos... pelos quais vivemos, respiramos, navegamos sempre. Ou quase sempre. O tempo se relativiza na divisa com o infinito. Achamos que o sentimento será eterno enquanto durar. Notamos que o duro é nos manter flexíveis. Brincamos de Deus com Ele. E não dá para fazer isso. Nenhum Einstein de batina, de terno ou de regata precisava dizer o que já era explícito. Ou quase explícito. O percurso da vida está implícito dentro de cada ser vivo. O vírus da humanidade nela mesma se propaga sem sentidos. Quem sou eu para apontar direções? O homem está cada vez mais virulento. Vagamos e pensamos que chegamos ao fim nas palavras repetidas dos homens que apontam verdades. E a minh...

Interseções filosóficas – Parte de nós.

– É um show de horrores! Chamaram a travesti de "ele"! Referiram-se a uma mulher cis como "mulher de verdade, não uma travesti"! E teve ainda piada sobre "o pinto do traveco"! Um absurdo descomunal!  – Realmente, desrespeitoso. – Pois é. Isso só mostra como estamos numa bolha minúscula e o quanto que quem está de fora dela ainda não tem a noção do que é respeitar o próximo, de como tratar... Isso é revoltante! – E o que motiva sua revolta? – Não sei... queria viver num mundo mais igualitário. – Mas há aí uma tremenda incoerência no seu discurso, você não vê? – Eu? Incoerente por achar que todos mereçam respeito? – Não. Nada disso. Todos merecem respeito e eu concordo com você nisso. Falo da incoerência de "viver num mundo igualitário", sendo que você não faz um esforço para isso. Afinal, a ideia de viver na sua confortável bolha não dialoga com a ideia de interagir com o mundo. O problema é morfológico. A bolha é intransponível. Só participa da ...

Deus

Tenho para mim que Deus está em tudo aquilo que não foi inventado. No inédito do inédito é onde Deus habita. O que Ele faz está no que ainda não foi feito e tudo só pode ser feito, portanto, através do que Ele faz. Pode parecer filosófico (e, por isso, abstrato) demais, mas eu explico.  Acho que Deus é uma junção de tudo aquilo de misterioso que há no universo. Ora! Você nunca  se perguntou a razão das coisas? Nunca percebeu que há perguntas sem respostas e respostas sem perguntas? Por que eu amo minha mãe? Não sei, eu apenas a amo. Por que eu preciso passar por isso? Não sei... talvez para aprender o que hoje eu sei? Por que eu vivo? Por que eu morro? Há muito de Deus nas crianças de 8 anos.  Ele criou o livre-arbítrio. Sendo essa, talvez, a sua primeira criação. Pois desde a primeira ideia, houve o livre-arbítrio para escolher o que se fazer depois. Deus inventou também o liberalismo. O liberalismo divino – que seja. E Ele foi tendo ideias inéditas, e inéditas, e inédit...

O Coringa

O Coringa é a personificação de uma tara que a sociedade tem. Eles fizeram da vida do personagem um eterno sofrer. O Coringa era a vítima de todos ao redor, que riam da condição dele – e não das palhaçadas que ele fazia. Ele era feio, pobre e tinha um distúrbio mental que o fazia rir sem controle – especialmente quando ele se via injustiçado.  O Coringa só queria fazer o bem sua vida toda. Não fazia mal a uma formiga sequer. Ele, como bom palhaço que era, só queria fazer as pessoas felizes e, de quebra, ser alguém digno de felicidade. Mas o que os outros ofereceram? Cobranças. Cobrança inclusive de que ele aceitasse uma condição na qual ele era apenas um saco de pancada. O movimento que ele "começou" não teve nele a sua inspiração. As pessoas que se viram na mesma condição dele, apenas liberaram essa insatisfação. O Coringa foi, no máximo, um lembrete para que as pessoas fizessem algo além do "acorda, defeca e amém".  E é aí que o grande espetáculo se deslinda: a so...

Interjeições filosóficas

– Tudo pelo qual você passa é uma experiência exclusiva sua. Você não pode transferir essa sua sensação. Só você vai senti-la, por motivos, às vezes, não tão óbvios assim. E sendo essa uma coisa particular e intransferivelmente sua, é normal você não sabê-la definir direito. E tudo bem. Nós somos completos e nos bastamos. – Hum... – O que foi? – Eu não consigo entender direito. Por exemplo, você fala que nós nos bastamos. Mas como você fez pra publicar seu livro sem ajuda de outros? Sem usar do convencimento para alguém revisá-lo, editá-lo, distribui-lo? Você precisou de outras pessoas. Você sozinho não se bastou para realizar isso. É como se sua teoria fosse bem falha na prática. – Somos ensinados a pensar dessa forma, de que pessoas precisam ser convencidas para que realizemos os nosso desejos. Seja através de um simples pedido, seja pela forma de barganha (dinheiro ou troca de favores). Mas todas essas formas de se conseguir algo externo a você depende sim de outros para se existir....

Aos que ousam!

Confesso que o alarde geral repercutiu por aqui também. Também não gosto de indefinição. Vai cair o Governo? Vai ter Guerra Civil? Vai a oposição assumir? Vai haver novas eleições? Vai mudar algo? ... Apesar de não gostar dessa obrigação de ter que defender meus pensamentos, às vezes tenho que fazê-lo. E é o caso. Ora, se é algo que me afeta diretamente – tenho que ter pulso firme para ter a opinião que é melhor para mim (opinião essa – já adianto – que não será exposta aqui). Ousadia não é contrário a humildade. Você pode ousar sendo humilde. Jesus (no que está escrito na Bíblia) era humilde e ousou ao abraçar Madalena, por exemplo. Os bons são humildes. E humildade é você reconhecer que você não é o centro do universo. Humildade é saber que escutar o próximo e – PRINCIPALMENTE – tentar entender (de verdade!) seu ponto de vista não é um mero favor. Humildade é conseguir enxergar a necessidade em se escutar o próximo e ouvir suas queixas ou alegrias. Se você não vê a necessidade em ...

A Equilibrista

Naquele momento ela não se sentia bem. Estava incomodada com um vazio na barriga e na mente. Ela precisava preencher com palavras e poesia sua existência, a qual, para ela, não fazia sentido.  Ela permeava nesse ir e vir de emoções circulares, seculares, celulares.  Ela mergulhava no desejo de conhecer seu limite. Ela brincava numa corda bamba, onde qualquer deslize pudesse lhe conduzir o inevitável. Ela sentia necessidade de se desafiar. Como se quisesse provar para si mesma o improvável. De certo modo, o medo de cair lhe impulsionava a subir mais e mais. Ela não identificava o porquê. Tudo que ela queria era sentir algo novo. Ela aspirava os novos ares do porvir! Logo ela, tão ligada ao que já passou, tão magoada, tão sofrida... Mas num átimo, ela pensava em mudar de ofício. Ser malabarista, sonhava baixo. Mas ela gostava de altura. Ela não se via de baixo. Sua meta: ser malabarista equilibrista. O desequilíbrio voltava a lhe inspirar. Ela perdera até o ritmo do texto, com o...