Passo por entre nuvens e me marcam suas lágrimas na janela. A ponta da asa do avião mexe — como também a minha. Tantas idas e vindas que naquela poltrona já sentou, e sentou, e sentou. Qual o destino? O que me move é o movimento do pássaro? Ou é criar um ninho?
Eu preciso, sim, de espelhos! É importante se ver a si mesmo de fora. Perceber sua real dimensão, sua melhor versão (e a pior também). Pra mim, é libertador ver no vidro o seu olho inchado vermelho de tanto chorar. Como é gostoso também quando você vê a ponta da asa ali naquele momento em que se olha no espelho. Que lindeza a vaidade! Vaiado? Viado? Eu sei meu tamanho.
Eu saber meu tamanho requer que eu também saiba meu limite. Fugir da fronteira que me constrange me faz conhecer em mais detalhes meu interior, é verdade. E isso é também se mover. Mas, pelo outro lado, quando atravesso essa fronteira, desmistifico a idealização do que havia lá. Mais ainda: percebo que aquele lugar também já me pertence (de uma maneira imaterial, vale ressaltar).
Tento resolver minhas dúvidas. A dívida do tempo é mais um bilhete de outra viagem parcelada em uma única vez. A urgência pela estrada me sequestra.
Era uma vez, um príncipe, como eu, me encantando pela vida: “Preciso de espelhos! Preciso de espelhos! Armadilha pra Narciso!” Inclusive, é importante enxotá-los quando desnecessários. Percalços do caminho. (as recorded in some good silly song “erase and rewind because I’ve been changing my mind”) Mas… voltando à minha experiência…
Eu preciso, sim, de espelhos! É importante se ver a si mesmo de fora. Perceber sua real dimensão, sua melhor versão (e a pior também). Pra mim, é libertador ver no vidro o seu olho inchado vermelho de tanto chorar. Como é gostoso também quando você vê a ponta da asa ali naquele momento em que se olha no espelho. Que lindeza a vaidade! Vaiado? Viado? Eu sei meu tamanho.
Eu saber meu tamanho requer que eu também saiba meu limite. Fugir da fronteira que me constrange me faz conhecer em mais detalhes meu interior, é verdade. E isso é também se mover. Mas, pelo outro lado, quando atravesso essa fronteira, desmistifico a idealização do que havia lá. Mais ainda: percebo que aquele lugar também já me pertence (de uma maneira imaterial, vale ressaltar).
O choque do pneu da aeronave quando toca o chão, homens voando como urubus, computadores fazendo arte! Tudo tão antinatural — tal como te ver ao vivo do outro lado do país. Talvez eu também esteja perdido, mas não deliberadamente, não intencionalmente. Afinal, se viver inclui morrer, por que euzinho não possa me ver narcisicamente incoerente enquanto estou vivo — e muito vivo!? Hahaha… Boas viagens!

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