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A Equilibrista


Naquele momento ela não se sentia bem. Estava incomodada com um vazio na barriga e na mente. Ela precisava preencher com palavras e poesia sua existência, a qual, para ela, não fazia sentido.  Ela permeava nesse ir e vir de emoções circulares, seculares, celulares. 

Ela mergulhava no desejo de conhecer seu limite. Ela brincava numa corda bamba, onde qualquer deslize pudesse lhe conduzir o inevitável. Ela sentia necessidade de se desafiar. Como se quisesse provar para si mesma o improvável. De certo modo, o medo de cair lhe impulsionava a subir mais e mais. Ela não identificava o porquê. Tudo que ela queria era sentir algo novo.

Ela aspirava os novos ares do porvir! Logo ela, tão ligada ao que já passou, tão magoada, tão sofrida... Mas num átimo, ela pensava em mudar de ofício. Ser malabarista, sonhava baixo. Mas ela gostava de altura. Ela não se via de baixo. Sua meta: ser malabarista equilibrista. O desequilíbrio voltava a lhe inspirar. Ela perdera até o ritmo do texto, com o pretexto da metalinguística.

Ela não queria assinar seu moderno autorretrato. Ela preferia selfies. Ela era moderna, vanguardista, popular. Sabia dos memes e por isso evoluiu em toda forma de sentimentalidade. Ela é poderosa em tempos modernos. Pelo menos ela acredita que é, enquanto ela é.

Maria da Saudade.


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