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Torta de paixão

sei lá, to levando com a barriga isso e haja abdominal pra manter esse vício. torta de paixão, sigo procurando o doce momento de ilusão como se amar fosse. sei lá, to levando com a barriga isso. sem fome ou apetite, café sem compromisso suspiro raivinha suspiro raivinha

Pois é

- Tem vezes que acho que não vai dar. - É... tem vezes... - Mas sempre dá, né? - Nem sempre. - Mas tem vezes que a gente acha que vai dar tudo errado e no final, dá tudo certo. - É... tem vezes... - Mas nem sempre, né? - Pois é. - O que tiramos disso? - Que tem vezes para tudo na vida. - Mas nem sempre, né? - É... nem sempre.

Anatomia

Ele o esperava na porta do centro de biociências. Não sabia o que dizer. Acreditava que tudo iria vir naturalmente. Ele voltara a acreditar nas biociências. A tesoura do desejo o esquartejava na espera. O medo dessecava as carnes, “manter-se no formol não é tarefa fácil”, pensou. Esperou. Todo esse ritual escatológico trazia talvez um novo rubor em sua face. Talvez. Ele já não estava tão ansioso pela sensação do prazer carnal. Sexo ele conhecia bem. Eram outros prazeres que o guiavam. Estava cansado de correr na direção contrária. Ele só queria descansar e compartilhar um pôr-do-sol e um remédio antimonotonia. É pedir muito? Talvez fosse. O instinto dizia “quem não chora não mama” e a razão retrucava “no hay que llorar!”. Verdade... Por que chorar? Mais ainda, por que não levar como “leve pluma”?  As dúvidas, os medos, as incertezas, as culpas, as desculpas. Tudo ficou tão leve que voou pra longe. Era amor de exageros. Não tinha como não ser – “mas que nada!”. Eles voaram. Em direç...

Entrelinhas

tentei me ler nas tuas entrelinhas fui capaz será? não sei... mas talvez algum dia tanto faz... e o que guardo na lembrança é minha maior herança o seu jeito engraçado de pedir e no peito o meu abrigo era o seu abraço amigo ver você me ver sorrindo e sorrir. o rio bravio e sua valentia corre atrás de mim, de si, de nós ou de algum dia algo mais...

Sentindo falta

eu me pergunto onde é que está aquele menino  que fazia poesias.  a poesia dele morreu?  fica a falta em todos  os sentidos possíveis  dos sentidos possíveis.

Ácido

De todas as experiências que vivi e que senti, certamente uma das mais importantes que tive foi com o ácido. Todas as outras têm muito potencial de vício e eu não gosto da ideia de dependência. A dependência é um cabresto cruel da sociedade cada vez mais dita moderna. Dependência em álcool, em cigarro, em ecstasy, em açúcar,  em maconha, em cocaína, em tarja preta, em likes no insta, em endorfina, em sexo, em crenças...  E é aqui que eu atino: se analisar bem direitinho vamos ver que sim: somos seres dependentes! Então a questão não é evitar a dependência e sim no que devemos escolher depender, de fato. Afinal, dependemos de coisas externas para existirmos: não somos autossuficientes. "Plene"? Até a faixa 2 né, anjo? E quem diz que é, tá mentindo. Afinal, você pode até estar/ficar em plenitude, mas daí ser/viver estritamente pleno? Acho que não, hein? Talvez, inclusive, sejam esses o do pior de todos os tipos: os dependentes da independência, ou mais acidamente falando, da fa...

No tocafitas

Ele saiu de casa e, no fundo no fundo, essa frase mexia com ele. Era como se algo estivesse dessintonizado. Ao sair de casa era como se lhe tirassem tudo, mas o seu teto era de estrelas e o seu chão de giz. A questão se situava onde a pergunta se escondia: onde era essa casa? O planeta Terra era sua casa? Faltava-lhe um lar? Talvez todas as dúvidas fossem certezas e certamente todas as certezas eram duvidosas. Vira esse disco! Atravessando os agoras, ele se embananava com o tempo, mas acabou por aprender a dar aquele abraçaço em todas as suas frequências. Doía-lhe demais despir-se do ego. Perguntava-se até se precisava vê-lo nu, se precisava penetrá-lo. Não podes pensar! Aje! Ele já agiu sem pensar e pensou demais sem agir. Sinal fechado. Não foi dessa vez. Ele saía de casa a toda hora. "A casa é sua!" Toda casa é casa. Ele procura lares. Quem sabe não é agora!? Quem sabe? Será só imaginação? Tenho medo de pirar... Dizem que sou louco, mas não somos todos? Tenho uma dúvida pu...