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Movimentos

Foi quando me vi com saudade do futuro que percebi o quanto estava perdido. Um vazio anacrônico me enchia de vergonha. Ora! Como poderia eu sentir saudade do que nunca tinha sido? Expectativas serão sempre desleais, já diziam os seres da Mata.

Não é também que o passado me azucrine. Hoje em dia consigo, embora com dificuldade – confesso –, aceitar o óbvio. Sim, o passado já passou. O que talvez incomode mais é o gosto do futuro repetindo o passado, travoso como um Caju ainda imaturo. 

Sinto-me envolvido num movimento qualquer. Nele, finalmente, vi o momento certo de errar. O objetivo é tão importante quanto o trajeto. Da travessia do Nascimento até esses tempos modernos dos Santos, tudo é um ciclo. Enrijeço ao me enfraquecer e me enfraqueço ao enrijecer. Quem se admite perfeito só não admite isso pra si mesmo – de resto, tudo perfeito, claro!

Convenhamos: o equilíbrio é uma falácia gostosa. Do lado de cá, adoramos apelar para uma persona que criamos em nós e de nós: perfeita nas suas imperfeições. Viver brincando ou brincar vivendo talvez seja, de fato, o gostoso disso tudo. A seriedade a gente deixa para os e as eventuais caretas. Assim, descobrimos que entre rugas e rusgas, há apenas solilóquios vazios cheios desta mensagem trivialmente fluida e natural: que texto doido da gota!





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