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Confusa.

Pensei em escrever algo enquanto minha amiga não chegava à minha casa. Eu a chamei porque me sinto fraca. Estranha, na verdade. Nunca senti isso antes: uma sensação tão confusa que não consigo chorar ou rir, sentir fome ou vomitar. Odeio esses dias. E eles estão ficando recorrentes. Me sinto uma estranha dentro de mim. Mas até que dizer essas palavras ajudam. Desculpe a desconexão desse texto, só sei pensar assim. Agora crio uma gata. Ainda não sei o nome que vou dar. Ela é linda! Tá brincando nesse momento com um pano de chão. Ela tem me feito bem, apesar das fezes podres. Eu durmo com ela na cama mesmo. Ela é carinhosa e se não for, vou fazê-la ser. Odeio isso em mim: forçar os outros. Por um instante vejo-me como um alguém que conheço: minha gata. O gato ronrona no seu pé pra pedir. E ele enjoa. Gosto dela. Ela se parece comigo. Eu sou tão complicada, né? Tão egoísta. Ajo sem pensar nos outros. Mas é que se eu pensar nos outros antes de agir, não me sinto honesta nem com os outros –...

A caixa da sabedoria.

Era uma vez numa ilha deserta, um náufrago. Fazia tanto tempo que morava ali sozinho que ele já não sabia de sua origem ou o que havia além das imensidões azuis. A adaptação, por assim ser, sitiou seus pensamentos. Ou, em outras palavras, a acomodação exilou o que era desnecessário. As únicas coisas que ele sabia por ali era o que lhe podiam ensinar. E, tendo o sol como guia, aprendeu a ter disciplina, foco e determinação; tendo a lua como conselheira, passou a compreender suas fases e o que elas significavam; tendo as plantas como exemplo, descobriu que boas safras levam muito tempo para acontecer. Tudo cíclico, natural e desumano. Por ser rei de um reino inóspito, o náufrago encheu-se de si para tornar-se Deus. O Homem é o deus do Homem. O Homem é o deus do deus. Suas crenças tornaram-se reais; suas idéias, leis; e seus desejos, o bem geral da nação. Muitos anos se passaram e seu conforto só ia aumentando, até que ele havia se conformado supremo: a chuva caía assim, o gramado cre...

Marte.

— É do ser humano ter dúvidas? — Será? — Acho que sim. — É do ser humano supor? — Acho que sim. — O que não é do ser humano? — Marte! — Será? — Acho que sim.

Fale direito!

Não venho aqui pedir que você ame Machado de Assis. Também pouco me interessa lhe dar uma lição sobre literatura, afinal, não tenho gabarito para falar acerca disso. O que quero lhe dizer é que sim, as línguas vivas estão em constante mutação. Entretanto, quando olho ao redor, vejo uma sociedade sendo formada e, o horror!, propagada por erros costumeiros e de fácil resolução. Coisas como vírgulas, pontos, acentos etc. Eu não quero bancar o certinho, ou me autopromover um bom escrevente, contudo é necessário que haja uma comunicação efetiva! E , por que não, bonita! Português não é só uma matéria da escola ou uma alternativa numa prova de múltipla escolha; Português é uma herança linda ainda, é uma lógica, é uma malemolência, é a poesia da sua própria descrição. E muitos de vocês aí deturpando, tendo descaso, estuprando nossa tão bela forma de se transmitir. Outro ponto que gostaria de citar é que, como disse anteriormente, o Português está em constante mudança. Ou seja, não quero pre...

Recriativo.

Hoje eu acordei. Não que eu estivesse em coma e acordar fosse um evento extraordinário. Hoje eu apenas acordei. Simples assim. Em outras palavras, eu deixei de dormir. E não me venham adivinhar um significado simbólico — ou profundo, ou subjetivo, ou o que queira — para três palavras tão corriqueiras: hoje eu acordei; como ontem e provavelmente como amanhã acordarei. Abri os olhos, saí do sonho, tirei a remela, me espreguicei e praguejei o motivo que me despertara. Escovei os dentes e me banhei depois de tomar café. Minha empregada sempre me repreende por logo após o café eu ir à ducha. “ Vai tomar banho depois desse café quente!? ” me fala com toda aquela convicção de que depois do terceiro cantar do galo, toda careta torna-se permanente. Após ter morrido e ressuscitado naquele banheiro, relatei-lhe o ocorrido e, milagrosamente, ela não acreditou. Sou contra a máxima que tanto se apregoa do só acredito vendo. Porque até vendo, se quiser, não dou fé. Crer é questão de opinião e a...

Entre nós.

— Amorzinho, minha paixão! — Oi, minha serotonina. — Toda vez que te sinto, nuvem glacê de morango, parece que o seu quero-quero balbucia prosopopeias sabor chocolate... — Onomatopeias, brilhante escarlate, Onomatopeias... — Centopeias não me varam melhor, andarilho do meu espectro cardíaco. — Meu linfócito TCD4, meu chá de sete ervas às 17h! — Te amo. — Preciso de ti. — Te quero cabalisticamente, meu faraó! — Eu sei, minha força galáctica, fabulosa nebulosa! — Vem cá, meu leite de coco atapiocado. — Jujuba de doce de leite! — Minha resma de notas infindas, meu corolário! — Meu apócrifo! — Eu amo... — Nós amamos... — A nós? — A nós.

Ondas, Cores e notas.

Gotas em pó, notas sem dó. Cores, suas, todas e só. Aves não voam em marcha ré. Um rio não é igarapé. Un amor solo a mi. Mon amour, mon ami. Quando o mar se põe a arfar não implica que vai secar. Água, cor e sol É pênalti e gol! Mas sem tu lá, Só luz, gota e ar, É como estar em si O vazio do não existir. Se em ti há menos sentimentos, sei que é mentira. O fulgor aqui é só o aumento da vista que te inspira. Numa incessante confusão do não amar amando. Porque o real é ilusão, só não se sabe quando. Sou sua lavoura, lá fora, a massa física da hora. Também sou filho de Deus, mas acredito em ateus. Comer sem ver, Beber sem saber, Respirar sem viver. Nada é tão fácil e nem tudo é difícil. Amar não é nenhum sacrifício. É saltar do precipício, esperando um bom auspício! Não pensando em desperdício. Você já é o meu vício. Vem pra cá e deixa disso. Vem me ver nesse comício, Vem calar este suplício, Ou me votar pra seu patrício. Não consegue ver? Um arco-íris cintila ou reflete? Seus...