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Nós de gravata.

— Moço, o senhor pode me levar na maternidade? Meus pontos estouraram, olhe. É muito fácil amar o próximo. Distante, é. Ali na TV, aqui no blog é sempre gratuito apontar e julgar a marginalidade. Romanceá-la, resolvê-la, cheirá-la, abraçá-la é mais fácil ainda... aqui. Com nosso olhar norueguês pensamos que não estamos encardidos com isso. Antes fosse apenas sociologicamente! A moeda com que você compra seu pão já passou na mão de quantos indigentes? Meu papel, longe de ser hipócrita ou imparcial, é dizer que a sua unha encravada é o maior problema do mundo. Porque se pararmos para tentar resolver o mundo, ele nos dá a pior das rasteiras: "Eu não estou assim, eu sou assim". É como uma forca de infinitos nós: mesmo salvando um da asfixia, outros nós se apertarão. E não nos cabe nada a não ser nosso egocentrismo. Conformar-se, meus caros, é pior que morrer.

Todo santo jaz.

Hoje papai faria 96 anos. Ou seria 97? Quer dizer, é hoje? 26 de fevereiro... é, é hoje sim. Honestamente não quero ser como ele, mas a genética é fogo. Cidélia tem razão quando vem dizer que estou dando trabalho. Eu não o queria dar! Hoje, mais do que nunca vou tentar não ser meu pai. Contudo, ele não era só estorvo. O que sei de carro: das velas aos faróis, por exemplo, devo a ele. Por outro lado, não posso dizer o mesmo que todos os filhos dizem dos seus genitores quanto a austeridade. Era boemio. Punha arroz e feijão, mas esperava carne. Batia, eu acho, em mamãe. Mamãe: Santa Erliete. O Senhor viu que ela era valiosa. Cuide bem dEle, mamãe. Sei que fazes muito por mim aí. Acho que o Senhor tirou-lhe cérebro e deu Alzheimer para só assim suportar o que a vida lhe propusera: filhos casados, filha falecida, viuvez... Santa Erliete! Gozado... sempre depois de morto todo mundo vira Santo. Não que Santo deva ser gente viva. É muita hipocrisia. Aliás, é medo! Medo de que se desvende e lem...